Demorei muito tempo para arranjar um assunto para o primeiro post. Eis que ontem me surge uma idéia que achei interessante.
Domingo passado teve uma consulta popular sobre a construção de residências na área que hoje são as ruínas de um estaleiro falido nos anos 80, na beira do Guaíba. A simples construção de prédios na orla, residenciais ou não, desperta feroz oposição entre a intelligentsia local, que repetia a exaustão o bordão "estão privatizando o pôr do sol!!" entre outras bobagens. Bobagens, pois os que se opõem ao projeto não querem que nada seja construído na área, querem que a orla do Guaíba continue como está: inutilizada, entregue às macegas, ao lixo e aos vagabundos, querem que a cidade continue com suas costas viradas para o estuário.
O resultado da consulta? 80% votou por não construir residências no local, num processo onde menos de 2% dos eleitores do município votaram. A consulta em si não muda muita coisa, prédios comerciais continuam liberados, mas é factível prever que a pressão para que nada seja construído comece a aumentar.
A mesma turma que é contrária ao Pontal do Estaleiro também é contra a modernização do cais do porto, querendo que aqueles armazéns continuem criando ratos. Engraçado é que o Arroio Dilúvio despejando esgoto e lixo no Guaíba não desperta nenhuma mobilização por parte dos defensores do "nosso rio", sem falar no fato de que quase toda a orla está imprópria para banho. Ou seja, despejar merda no Guaíba pode, construir meia dúzia de prédios numa área degradada e valorizá-la, não pode. A vereadora Sofia Cavedon, do PT, saiu dizendo que a vitória do “não” representava a vontade do povo de mudar o plano diretor e impedir prédios na orla. Gostaria de saber o que a vereadora, que considera o Guaíba o “nosso maior patrimônio”, fez para reduzir a poluição do mesmo.
Essa gritaria contra investimentos não é nova por aqui. Basta ver o que aconteceu com o ex-governador Antônio Britto, responsável por trazer duas montadoras ao RS, que até então nunca havia produzido automóveis. Uma delas, a Ford, foi expulsa do estado pelo então governador Olívio Dutra em 1999, a outra, a GM, só foi salva do mesmo destino por estar em fase mais avançada de implantação. Hoje todos tecem elogios a participação da GM no crescimento de Gravataí, mas nenhuma palavra de reconhecimento ao Britto, responsável pela instalação da empresa. A mesma grita se repete hoje contra a Aracruz e outras indústrias de celulose, a simples idéia de alguém investir na cada vez mais pobre metade sul do estado já causa calafrios na nossa intelligentsia, talvez por medo de cair por terra a falácia contra o latifúndio.
Nada justifica toda essa celeuma do que o gosto pelo retrocesso por parte da elite (nem um pouco) pensante da província. Começo a temer que isso esteja se incorporando a figura típica do gaúcho, que ficaria estigmatizado como um sujeito que gosta de atraso, exageradamente apegado ao passado, como que sonhando com a volta das charqueadas. Ironicamente, isso é associado ao tradicionalismo e a um suposto conservadorismo. Por outro lado, isso é acompanhado por um certo sentimento de empáfia, de que tudo está perfeito e que qualquer mudança iria macular o “paradisíaco” cenário da orla, do cais do porto ou do que quer que seja. Por isso tenho minhas dúvidas se o metrô prometido para a Copa do Mundo saia do papel, afinal o povo “adora” andar de ônibus e não há necessidade de metrô numa cidade que tem o “melhor transporte público do país” (me engana que eu gosto).
Finalizando, o RS se tornou para mim o estado mais esquerdista do país. Não é a toa que o PT governou Porto Alegre por 16 anos e o o Rio Grande foi o primeiro estado importante a ser governado pelos petralhas. Mesmo não detendo os estes cargos atualmente, o petismo ainda é a ideologia dominante por aqui, basta ver os sistemáticos ataques a governadora Yeda, que resolveu mexer em temas que feriam as sensibilidades dos aparatchicks (nem sei direito como se escreve) do pampa. Não é para menos que toda essa mentalidade está fazendo com que o estado perca espaço no cenário econômico do país e Porto Alegre tenha um turismo de lazer quase inexistente. Um amigo com o qual converso no MSN diz que tudo começou com o positivismo castilhista, passando por Borges, Getúlio, Jango e Brizola até desembocar no petismo. Pretendo estudar mais a fundo sobre essas origens do pensamento retrógrado da burritsia da província mais adiante. Enquanto isso, minha vontade de sair da Ptlândia (vulgo RS) aumenta ainda mais.
Domingo passado teve uma consulta popular sobre a construção de residências na área que hoje são as ruínas de um estaleiro falido nos anos 80, na beira do Guaíba. A simples construção de prédios na orla, residenciais ou não, desperta feroz oposição entre a intelligentsia local, que repetia a exaustão o bordão "estão privatizando o pôr do sol!!" entre outras bobagens. Bobagens, pois os que se opõem ao projeto não querem que nada seja construído na área, querem que a orla do Guaíba continue como está: inutilizada, entregue às macegas, ao lixo e aos vagabundos, querem que a cidade continue com suas costas viradas para o estuário.
O resultado da consulta? 80% votou por não construir residências no local, num processo onde menos de 2% dos eleitores do município votaram. A consulta em si não muda muita coisa, prédios comerciais continuam liberados, mas é factível prever que a pressão para que nada seja construído comece a aumentar.
A mesma turma que é contrária ao Pontal do Estaleiro também é contra a modernização do cais do porto, querendo que aqueles armazéns continuem criando ratos. Engraçado é que o Arroio Dilúvio despejando esgoto e lixo no Guaíba não desperta nenhuma mobilização por parte dos defensores do "nosso rio", sem falar no fato de que quase toda a orla está imprópria para banho. Ou seja, despejar merda no Guaíba pode, construir meia dúzia de prédios numa área degradada e valorizá-la, não pode. A vereadora Sofia Cavedon, do PT, saiu dizendo que a vitória do “não” representava a vontade do povo de mudar o plano diretor e impedir prédios na orla. Gostaria de saber o que a vereadora, que considera o Guaíba o “nosso maior patrimônio”, fez para reduzir a poluição do mesmo.
Essa gritaria contra investimentos não é nova por aqui. Basta ver o que aconteceu com o ex-governador Antônio Britto, responsável por trazer duas montadoras ao RS, que até então nunca havia produzido automóveis. Uma delas, a Ford, foi expulsa do estado pelo então governador Olívio Dutra em 1999, a outra, a GM, só foi salva do mesmo destino por estar em fase mais avançada de implantação. Hoje todos tecem elogios a participação da GM no crescimento de Gravataí, mas nenhuma palavra de reconhecimento ao Britto, responsável pela instalação da empresa. A mesma grita se repete hoje contra a Aracruz e outras indústrias de celulose, a simples idéia de alguém investir na cada vez mais pobre metade sul do estado já causa calafrios na nossa intelligentsia, talvez por medo de cair por terra a falácia contra o latifúndio.
Nada justifica toda essa celeuma do que o gosto pelo retrocesso por parte da elite (nem um pouco) pensante da província. Começo a temer que isso esteja se incorporando a figura típica do gaúcho, que ficaria estigmatizado como um sujeito que gosta de atraso, exageradamente apegado ao passado, como que sonhando com a volta das charqueadas. Ironicamente, isso é associado ao tradicionalismo e a um suposto conservadorismo. Por outro lado, isso é acompanhado por um certo sentimento de empáfia, de que tudo está perfeito e que qualquer mudança iria macular o “paradisíaco” cenário da orla, do cais do porto ou do que quer que seja. Por isso tenho minhas dúvidas se o metrô prometido para a Copa do Mundo saia do papel, afinal o povo “adora” andar de ônibus e não há necessidade de metrô numa cidade que tem o “melhor transporte público do país” (me engana que eu gosto).
Finalizando, o RS se tornou para mim o estado mais esquerdista do país. Não é a toa que o PT governou Porto Alegre por 16 anos e o o Rio Grande foi o primeiro estado importante a ser governado pelos petralhas. Mesmo não detendo os estes cargos atualmente, o petismo ainda é a ideologia dominante por aqui, basta ver os sistemáticos ataques a governadora Yeda, que resolveu mexer em temas que feriam as sensibilidades dos aparatchicks (nem sei direito como se escreve) do pampa. Não é para menos que toda essa mentalidade está fazendo com que o estado perca espaço no cenário econômico do país e Porto Alegre tenha um turismo de lazer quase inexistente. Um amigo com o qual converso no MSN diz que tudo começou com o positivismo castilhista, passando por Borges, Getúlio, Jango e Brizola até desembocar no petismo. Pretendo estudar mais a fundo sobre essas origens do pensamento retrógrado da burritsia da província mais adiante. Enquanto isso, minha vontade de sair da Ptlândia (vulgo RS) aumenta ainda mais.
Um comentário:
Belo post, Vicente!
Concordo com quase tudo, à exceção de que falta um detalhe no texto: o Estado do RS pode ser o mais esquerdista, mas também tem um bom grupo conservador e mais organizado no interior. O problema é esse encampamento que a esquerda fez em associar o PT ao tradicionalismo gaúcho, usando a tradição para frear o progresso de índole capitalista.
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