segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Incultura e desinformação

O Brasil é o paraíso da incultura e da desinformação. O brasileiro provavelmente é o povo mais idiota do mundo. Nossa "zelite" intelectual vive numa redoma de vidro onde observam o que acontece fora do país por um buraco onde não passa um mosquito.


Exemplos? São muitos. Vou começar pelo julgamento tosco pelo stablishment tupiniquim do PSDB como um partido de "direita". Nada melhor do que desmentir a tagarelice da mídia com fatos: (https://www2.psdb.org.br/interna/index.php?title=Notas+Oficiais+-+Congresso+da+Internacional+Socialista&pg=5&id=39290&busca=internacional, http://ucho.info/o-psdb-em-cuba) no primeiro texto os tucanos lamentam terem sido barrados da Internacional Socialista, no maior estilo "eu quero ser comunista, mas não me deixam, magoei", no segundo, os próprios tucanos relatam sua viagem a Cuba a convite do Partidão para estreitarem relações.


A recente crise em Honduras também reflete o total estado de alienação do nosso patropi, onde o jornalismo transformou-se na pura e simples macaqueação de chavões. Em junho desse ano, o então presidente Manuel Zelaya foi deposto pela suprema corte e o congresso do país ao tentar violar o artigo da constituição hondurenha que proibia a reeleição (http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1623842/a-crise-em-honduras-e-a-constituicao-hondurenha). Completamente alheia aos fatos, a nossa mídia repetia (e ainda repete) que houve um golpe militar no pequeno país da América Central, baseada unicamente na versão dos apoiadores do caubói cucaracho. E ainda querem que eu acredite que a Família Marinho e demais donos de redes de comunicação se reúnem na calada da noite para derrubar o Lula, ressucitar o regime militar e exterminar os pobres do Brasil, como repetem aos quatro ventos Paulo Henrique Amorim e Emir Sader.


A afirmação acima reflete o modus operandi da nossa esquerda, imputando ao inimigo as suas características, pois quem se reúne "na calada da noite" para transformar uma sociedade a sua imagem e semelhança não é ninguém menos que o próprio partido que governa o Brasil. "Calada da noite" apenas para aqueles que lêem a mídia nacional e se acham bem informados, pois qualquer um que tenha lido um pouco da obra de Olavo de Carvalho sabe da existência do Foro de São Paulo, convescote da esquerda latino-americana para, segundo sua ata de fundação "construir na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu". Olavo passou décadas pregando no deserto, não fazendo nada mais se não repassar o que era discutido lá dentro, a nossa classe letrada, por sua vez, achava que isso não tinha importância, pelo simples fato de que não saía nada sobre isso no Jornal Nacional. Hoje os partido que compõem o Foro governam boa parte do continente, fazendo exatamente o que era planejado, não satisfeitos, anunciam alegremente o que fazem e o que querem fazer, como no vídeo do terceiro congresso do PT (http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc) ou na futura Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), onde se debaterá o "controle social dos meios de comunicação" (http://proconferencia.org.br/assunto/confecom/) o que, como qualquer pessoa semi-letrada consegue distinguir, trata-se de eufemismo para censura prévia, como explica Nivaldo Cordeiro (http://www.nivaldocordeiro.net/).


Diante de tudo isso, a única reação das futuras vítimas de todo esse processo, com algumas exceções, é a de total indiferença, como se tudo isso não existisse ou que na verdade estariam dizendo outra coisa apenas por que o Lula não saiu estatizando tudo por decreto e do dia para a noite, nem por que o PT não teria virado partido único e, last but not least, nada sobre isso saiu na Globo. Qualquer um que ouse contestar os clichês batidos da grande mídia, inclusive com fatos e documentos, é imediatamente rotulado de "radical" ou "paranóico", afinal, contra todas as evidências, vale o que sai no jornal, o fato das redações serem infestadas de gente que saiu de faculdades onde não existe deus senão Marx e os professores universitários são seus profetas é apenas uma "coincidência".


No fim das contas, cansei de discutir com gente incapaz de tirar as conclusões mais óbvias, de enxergar um palmo adiante do próprio nariz. Até mesmo gente insuspeita de qualquer esquerdismo refuta afirmações baseadas com fatos e documentos unicamente no que ouviu dizer ou no que saiu na Zero Hora, gente desse tipo é um caso perdido, sua inteligência já foi reduzida ao nível simiesco. Não sou professor para ensinar os outros a pensar, vou me recolher a minha insignificância. Quanto aos que me consideram portador de paranóia persecutória, que votem no Serra ano que vem e sejam felizes...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu morro e não vejo tudo

Em mais um “excelente” trabalho de mais um ilustre representante da zelite inteliquituau defte paíf, uma doutora (!) da Unicamp disserta sobre a depredação das escolas pelos alunos, até aí, nada de mais. Porém, como é de se esperar de alguém desse meio, a depredação é vista pela catedrática como uma forma legítima de manifestação do aluno contra a opressão das autoridades, representada pelo professor que, por sua vez, ao invés de reprimir o aluno, deve incentivá-lo a continuar depredando.* Sim, isso tudo foi produzido num calhamaço de 477 páginas da mais pura imbecilidade, não por uma aluna de graduação, mas por uma doutora de uma universidade paulista, o currículo dela não me deixa mentir. **

São “otoridades” como essa que me deixam cada vez mais desmotivado a estudar seguindo nossa gloriosa educação formal. Pior ainda: são pessoas desse naipe que vão orientar os professores dos nossos filhos, e ainda querem que os pais incentivem as crianças a estudar para ir bem no colégio. Não sou pai, mas já estou imaginando o tamanho do problema caso eu queira ser um.

*http://reliquiasdacasaverde.blogspot.com/2008/11/doutora-da-unicamp-defende-depredao-de.html

**http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4797182E2

domingo, 20 de setembro de 2009

Assoprando a poeira

Passou-se por aqui mais um 20 de setembro. Para os que não sabem, é a data que festeja o início da Revolução Farroupilha, o dia encerra uma semana de festejos de tradicionalistas estado afora. Nos últimos anos as comemorações do 20 de setembro foram ganhando um aspecto de "festa popular", uma espécie de carnaval gauchesco, onde se tentou fazer com que o desfile de tradicionalistas virasse uma atração turística igual ao festival de Parintins ou as festas juninas do nordeste, não creio que isso tenha dado certo.
Apesar de viver aqui desde os 6 anos de idade, sempre fui completamente indiferente a gauchismos, nunca pisei num CTG e sou feliz assim, mesmo se pisasse, acho que ficaria emputecido com a gigantesca quantidade de regras baixadas burocraticamente pela cúpula do MTG, uma camisa de força mais apertada que as normas da ABNT. Tenho outra bronca com o tradicionalismo: ele foi um dos fatores que mais ajudou na vitória do Olívio e o triunfo do PT no estado. José Dacanal escreveu sobre isso, mas mesmo quem não o leu basta puxar pela memória as frequentes referências ao folclore gaúcho nas propagandas eleitorais do Olívio. Num golpe de mestre, a esquerda gaúcha criou o que um amigo meu chama de "neobolchevismo gaudério", se apropriando do bairrismo do povo daqui para ganhar votos, principalmente no interior. A esquerda encampou o tradicionalismo e transformou-o em caixa de ressonância de sua propaganda, a fim de combater o capitalismo na província, representado pelas multinacionais e pelas privatizações, acabando assim com qualquer tentativa de modernizar esse estado. O neobolchevismo gaudério não descansará enquanto não voltarmos ao tempo das charqueadas, quem viver, verá.
Por último, a semana farroupilha sempre exalta os ânimos de bairristas compulsivos. (boa parte da população) Acho um saco esse negócio de orgulho gaúcho, me parece algo cada vez mais apegado a coisas sem importância, a medida que o estado perde espaço no cenário nacional. Cercado de problemas típicos de uma região qualquer do terceiro mundo, o gaúcho reage vestindo sua bombacha, montando no seu cavalo e empinando seu nariz como se nada tivesse acontecido, além de ficar toda hora achando que só gaúcho presta e que o resto do Brasil é lixo, na esperança de que uma mentira repetida mil vezes torne-se verdade. Não sei onde tudo isso irá nos levar, talvez seja melhor nem saber...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tô nem aí

Ao contrário do stablishment midiático inteiro, inclusive daqueles blogueiros que se dizem de direita, não estou nem aí para as próximas eleições. Não vou perder meu tempo atacando a Dilma e muito menos defendendo o Serra. Já faz um bom tempo que eu descobri coisas que são elementares a qualquer indivíduo de inteligência mediana, mas que os bem-falantes da nossa mídia não podem ou não querem ver.

O que seriam essas coisas? Vou tentar explicá-las:

1) Ser direitista é muito mais do que apenas detestar o PT: todo direitista detesta o PT, mas nem todo aquele que detesta o PT é direitista. Nas próximas eleições, os (poucos) articulistas que não são esquerdistas cerrarão fileiras em torno do Serra, assim como a maior parte dos eleitores que se dizem “de direita”, alguns o farão por falta de opção melhor, outros já estão psicologicamente dominados pela “estratégia da tesoura” levada a cabo pela esquerda e realmente acreditam que a volta do PSDB ao poder significará a volta da direita ao poder. (curiosamente, é a mesma opinião do Emir Sader hehehe)

2) PT e PSDB são dois lados da mesma moeda: não entendo como os críticos dos programas assistencialistas, do aumento da carga tributária, do dinheiro público financiando o MST e da aplicação da agenda cultural esquerdista (esse último item passa despercebido por boa parte daqueles que estou falando, de tão intoxicada de economicismo que está à visão de alguns) se refiram com tanta lisonja a um candidato tucano, cujo partido, quando esteve no governo, foi responsável pela implementação de todos os programas que eles próprios criticam

3) Seja quem for o vencedor nominal em 2010, tudo continuará igual: pelos motivos citados acima, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. O esquerdismo petista deixará (temporariamente) o poder e dará lugar ao esquerdismo chique do PSDB, que é confundido por alguns idiotas úteis como direitismo. Socialistas darão lugar aos social-democratas, uma mudança somente visível com a ajuda de um microscópio eletrônico, na melhor das hipóteses. Assim nem dá gosto de comemorar uma derrota do PT...

Alguns colunistas despenderão seu tempo com as próximas eleições apenas por dever jornalístico ou para não serem demitidos, seja por falta de assunto ou por não agradar ao patrão, ou simplesmente por pressão dos patrocinadores do blog. Se esse for o caso, eu compreendo, mas não gostaria de estar na pele deles. Quanto a eleição para os cargos estaduais, confesso que não estou tão desinteressado quanto na eleição para presidente. Talvez pelo fato dos esquerdistas locais serem mais repugnantes por serem mais conhecidos, eu sinto mais vontade de não anular meu voto. Os candidatos não-petistas não valerão um peido, como sempre, mas causarão menos danos do que a turma do Tarso Genro, o apparatchik de São Borja.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A capital do atraso?

Demorei muito tempo para arranjar um assunto para o primeiro post. Eis que ontem me surge uma idéia que achei interessante.

Domingo passado teve uma consulta popular sobre a construção de residências na área que hoje são as ruínas de um estaleiro falido nos anos 80, na beira do Guaíba. A simples construção de prédios na orla, residenciais ou não, desperta feroz oposição entre a intelligentsia local, que repetia a exaustão o bordão "estão privatizando o pôr do sol!!" entre outras bobagens. Bobagens, pois os que se opõem ao projeto não querem que nada seja construído na área, querem que a orla do Guaíba continue como está: inutilizada, entregue às macegas, ao lixo e aos vagabundos, querem que a cidade continue com suas costas viradas para o estuário.

O resultado da consulta? 80% votou por não construir residências no local, num processo onde menos de 2% dos eleitores do município votaram. A consulta em si não muda muita coisa, prédios comerciais continuam liberados, mas é factível prever que a pressão para que nada seja construído comece a aumentar.

A mesma turma que é contrária ao Pontal do Estaleiro também é contra a modernização do cais do porto, querendo que aqueles armazéns continuem criando ratos. Engraçado é que o Arroio Dilúvio despejando esgoto e lixo no Guaíba não desperta nenhuma mobilização por parte dos defensores do "nosso rio", sem falar no fato de que quase toda a orla está imprópria para banho. Ou seja, despejar merda no Guaíba pode, construir meia dúzia de prédios numa área degradada e valorizá-la, não pode. A vereadora Sofia Cavedon, do PT, saiu dizendo que a vitória do “não” representava a vontade do povo de mudar o plano diretor e impedir prédios na orla. Gostaria de saber o que a vereadora, que considera o Guaíba o “nosso maior patrimônio”, fez para reduzir a poluição do mesmo.

Essa gritaria contra investimentos não é nova por aqui. Basta ver o que aconteceu com o ex-governador Antônio Britto, responsável por trazer duas montadoras ao RS, que até então nunca havia produzido automóveis. Uma delas, a Ford, foi expulsa do estado pelo então governador Olívio Dutra em 1999, a outra, a GM, só foi salva do mesmo destino por estar em fase mais avançada de implantação. Hoje todos tecem elogios a participação da GM no crescimento de Gravataí, mas nenhuma palavra de reconhecimento ao Britto, responsável pela instalação da empresa. A mesma grita se repete hoje contra a Aracruz e outras indústrias de celulose, a simples idéia de alguém investir na cada vez mais pobre metade sul do estado já causa calafrios na nossa intelligentsia, talvez por medo de cair por terra a falácia contra o latifúndio.

Nada justifica toda essa celeuma do que o gosto pelo retrocesso por parte da elite (nem um pouco) pensante da província. Começo a temer que isso esteja se incorporando a figura típica do gaúcho, que ficaria estigmatizado como um sujeito que gosta de atraso, exageradamente apegado ao passado, como que sonhando com a volta das charqueadas. Ironicamente, isso é associado ao tradicionalismo e a um suposto conservadorismo. Por outro lado, isso é acompanhado por um certo sentimento de empáfia, de que tudo está perfeito e que qualquer mudança iria macular o “paradisíaco” cenário da orla, do cais do porto ou do que quer que seja. Por isso tenho minhas dúvidas se o metrô prometido para a Copa do Mundo saia do papel, afinal o povo “adora” andar de ônibus e não há necessidade de metrô numa cidade que tem o “melhor transporte público do país” (me engana que eu gosto).

Finalizando, o RS se tornou para mim o estado mais esquerdista do país. Não é a toa que o PT governou Porto Alegre por 16 anos e o o Rio Grande foi o primeiro estado importante a ser governado pelos petralhas. Mesmo não detendo os estes cargos atualmente, o petismo ainda é a ideologia dominante por aqui, basta ver os sistemáticos ataques a governadora Yeda, que resolveu mexer em temas que feriam as sensibilidades dos aparatchicks (nem sei direito como se escreve) do pampa. Não é para menos que toda essa mentalidade está fazendo com que o estado perca espaço no cenário econômico do país e Porto Alegre tenha um turismo de lazer quase inexistente. Um amigo com o qual converso no MSN diz que tudo começou com o positivismo castilhista, passando por Borges, Getúlio, Jango e Brizola até desembocar no petismo. Pretendo estudar mais a fundo sobre essas origens do pensamento retrógrado da burritsia da província mais adiante. Enquanto isso, minha vontade de sair da Ptlândia (vulgo RS) aumenta ainda mais.

domingo, 19 de julho de 2009

Retornando

Decidi recomeçar o blog, depois da saída do Hermano (a quem devo meus agradecimentos por sugerir o nome deste blog) terei que tocar isso sozinho. É um desafio e tanto, muitas idéias se passaram pela cabeça deste que aqui vos escreve sem que tenham sido externadas de alguma maneira, por variados motivos. Primeira postagem da reestréia deste blog dentro de alguns dias.

Abraço

Vicente Limberger