segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu morro e não vejo tudo

Em mais um “excelente” trabalho de mais um ilustre representante da zelite inteliquituau defte paíf, uma doutora (!) da Unicamp disserta sobre a depredação das escolas pelos alunos, até aí, nada de mais. Porém, como é de se esperar de alguém desse meio, a depredação é vista pela catedrática como uma forma legítima de manifestação do aluno contra a opressão das autoridades, representada pelo professor que, por sua vez, ao invés de reprimir o aluno, deve incentivá-lo a continuar depredando.* Sim, isso tudo foi produzido num calhamaço de 477 páginas da mais pura imbecilidade, não por uma aluna de graduação, mas por uma doutora de uma universidade paulista, o currículo dela não me deixa mentir. **

São “otoridades” como essa que me deixam cada vez mais desmotivado a estudar seguindo nossa gloriosa educação formal. Pior ainda: são pessoas desse naipe que vão orientar os professores dos nossos filhos, e ainda querem que os pais incentivem as crianças a estudar para ir bem no colégio. Não sou pai, mas já estou imaginando o tamanho do problema caso eu queira ser um.

*http://reliquiasdacasaverde.blogspot.com/2008/11/doutora-da-unicamp-defende-depredao-de.html

**http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4797182E2

domingo, 20 de setembro de 2009

Assoprando a poeira

Passou-se por aqui mais um 20 de setembro. Para os que não sabem, é a data que festeja o início da Revolução Farroupilha, o dia encerra uma semana de festejos de tradicionalistas estado afora. Nos últimos anos as comemorações do 20 de setembro foram ganhando um aspecto de "festa popular", uma espécie de carnaval gauchesco, onde se tentou fazer com que o desfile de tradicionalistas virasse uma atração turística igual ao festival de Parintins ou as festas juninas do nordeste, não creio que isso tenha dado certo.
Apesar de viver aqui desde os 6 anos de idade, sempre fui completamente indiferente a gauchismos, nunca pisei num CTG e sou feliz assim, mesmo se pisasse, acho que ficaria emputecido com a gigantesca quantidade de regras baixadas burocraticamente pela cúpula do MTG, uma camisa de força mais apertada que as normas da ABNT. Tenho outra bronca com o tradicionalismo: ele foi um dos fatores que mais ajudou na vitória do Olívio e o triunfo do PT no estado. José Dacanal escreveu sobre isso, mas mesmo quem não o leu basta puxar pela memória as frequentes referências ao folclore gaúcho nas propagandas eleitorais do Olívio. Num golpe de mestre, a esquerda gaúcha criou o que um amigo meu chama de "neobolchevismo gaudério", se apropriando do bairrismo do povo daqui para ganhar votos, principalmente no interior. A esquerda encampou o tradicionalismo e transformou-o em caixa de ressonância de sua propaganda, a fim de combater o capitalismo na província, representado pelas multinacionais e pelas privatizações, acabando assim com qualquer tentativa de modernizar esse estado. O neobolchevismo gaudério não descansará enquanto não voltarmos ao tempo das charqueadas, quem viver, verá.
Por último, a semana farroupilha sempre exalta os ânimos de bairristas compulsivos. (boa parte da população) Acho um saco esse negócio de orgulho gaúcho, me parece algo cada vez mais apegado a coisas sem importância, a medida que o estado perde espaço no cenário nacional. Cercado de problemas típicos de uma região qualquer do terceiro mundo, o gaúcho reage vestindo sua bombacha, montando no seu cavalo e empinando seu nariz como se nada tivesse acontecido, além de ficar toda hora achando que só gaúcho presta e que o resto do Brasil é lixo, na esperança de que uma mentira repetida mil vezes torne-se verdade. Não sei onde tudo isso irá nos levar, talvez seja melhor nem saber...